Conheça a história do Stonewall brasileiro

Chanacomchana
Chanacomchana (reprodução)

Os movimentos sociais, de uma forma geral, têm como principal intento organizar grupos, cujo objetivo é minimizar desigualdades impregnadas na nação. Cada grupo, com seus projetos e ideologias, descentralizados ou centralizados, apresentam suas pautas e especificidades diferentes. Até aí parece que está tudo ótimo, contudo, há uma bela parcela de pessoas que se manifestam contrariamente às pautas.  As reclamações prevalecentes versam sobre o fato de os grupos terem perdido o verdadeiro foco: lutar pelas minorias. Dito isso, alega-se que os partidos políticos tomaram conta e o ativismo, que deveria ser apartidário, virou massa de manobra de agenda política.

Falando mais especificamente do Brasil, existem muitos grupos ativistas, mas merece ênfase o MST; Direitos das Mulheres, índios, Negros e LGBTS. Em relação à comunidade LGBTI+, os movimentos visibilizaram ainda na década de 1950. A princípio em espaços rurais e penetrando em seguida em ambientes urbanos.

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Nesse sentido, as primeiras manifestações ganham força ainda na época do período militar. O brado contra a política vigente era entoado. Contudo, a perseguição proeminente na Ditadura, não incidiu prioritariamente sobre LGBTs, mas sim sobre os subversivos e qualquer pessoa que estivesse diretamente envolvida na luta armada.

Mídias alternativas

Desse modo, surgiram algumas publicações, de mídias alternativas, com temática LGBT. O intento era promover uma espécie de contracultura. Assim, O Lampião da Esquina foi um jornal homossexual brasileiro que circulou durante os anos de 1978 e 1981. Nasceu dentro do contexto de imprensa alternativa na época da abertura política de 1970.

No mesmo sentido, também teve outra publicação que foi primordial para impelir os movimentos sociais: Chanacomchana. Esse boletim foi uma publicação dos coletivos que formaram os grupos Lésbico-Feminista – LF (1979-1981) e Ação Lésbica-Feminista – GALF (1981-1989). A única edição tablóide do título foi publicada no início de 1981, pelo primeiro coletivo (LF).

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Assim, esse boletim era uma espécie de fanzine, e aglutinava colagens bem progressistas e revolucionárias. Sempre tematizava questões femininas, especialmente lésbicas.

Porém, nem tudo são flores e cordialidade. O jornal era vendido e distribuído no Ferro’s bar, comumente frequentado por lésbicas. Todavia, as publicações não foram aprovadas pelo dono do bar, o que resultou na expulsão das mulheres em 1983.  Essa repressão originou o Stonewall brasileiro. Além do mais, como resposta a esse episódio, as mulheres do GALF decidiram que se “apropriariam” de seu lugar de convívio fazendo um happening na noite de 19 de agosto.

Miriam Martinho

Este levante acabou desencadeando o orgulho lésbico. Sendo assim, no dia 19 de agosto comemora-se o dia do orgulho lésbico em São Paulo. Nesse sentido, em entrevista dada ao portal UOL, Miriam Martinho, uma das pioneiras do movimento homossexual, contou sobre sobre aquela noite no Ferro’s Bar:

“Lembro que tive muito medo da polícia aparecer e nos levar presas. Tive medo da imprensa também. Não era muito confortável aparecer nas páginas dos jornais na época. Mas organizamos tudo de forma a minimizar os riscos: chamamos os grupos gays da época e algumas feministas para dar apoio. A vereadora Irede Cardoso foi uma das parlamentares pioneiras no apoio aos direitos homossexuais no Brasil, pedimos cobertura da OAB, chamamos a imprensa.”

“Chegamos no dia 19 de agosto e tentamos entrar no Ferro’s. O porteiro fechou a porta para que a gente não entrasse. Passamos a conversar com as mulheres que estavam do lado de fora do bar, juntamos gente, mais os grupos que estavam dando apoio, tentamos de novo. O porteiro enfiou a mão na cara de uma das integrantes do GALF, pela porta entreaberta. Um homem aproveitou e jogou fora o boné do porteiro, ele se distraiu e entramos todos”.

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“Nosso principal objetivo, com o Chanacomchana, é quebrar o muro de preconceitos que envolve e isola as mulheres lésbicas, criando uma rede de contatos, informações e apoio tanto no Brasil quanto no exterior”.

Fonte: Ketryn Carvalho.

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